top of page

Pesquisa Nacional sobre Uso de Crack e Outras Drogas

      O crack é um derivado da pasta base da coca não refinada, estabilizada com a adição de uma substância alcalina (base) como, por exemplo, o bicarbonato de sódio, e é primariamente consumido como uma pedra fumada.

     O crack foi inicialmente identificado nas ruas dos Estados Unidos na década de 1980, com forte concentração em comunidades em situação de vulnerabilidade social, habitualmente vivendo nas regiões centrais (empobrecidas, com o deslocamento da classe média para os bairros mais afastados e subúrbios).

     Não há registros precisos acerca de quando o crack passa a circular no Brasil, ou seja, quando passa a haver oferta do produto nos pontos de venda, e demanda por parte dos consumidores com relação a essa nova apresentação da cocaína.

​

       Os primeiros artigos sobre o consumo do crack no Brasil, publicados em 1996, foram referentes a usuários da cidade de São Paulo (Nappo et al., 1996) e relatam que a droga estaria disponível em São Paulo já a partir de 1991.

    Um Inquérito Nacional sobre o uso de crack no Brasil foi encomendado à FIOCRUZ em 2010, pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) / Ministério da Justiça.

​

       O motivo foi a ampla mobilização da opinião pública, das instâncias políticas e dos meios de comunicação em torno das cenas abertas de crack, popularmente conhecidas como “cracolândias”, que passaram a ter destaque na agenda nacional.

Coordenadores da Pesquisa:

Prof. Dr. Francisco Inácio Bastos       &       Dra. Neilane Bertoni

Epidemiologista - Pesquisador Senior LIS/ICICT/FIOCRUZ

Epidemiologista

Pesquisadora INCa

Instituições Envolvidas:

     A pesquisa foi conduzida no ano de 2012 através de entrevistas diretas de uma amostra representativa dos usuários de crack presentes em cenas de uso no país, em três estratos:

  • 26 capitais das Unidades da Federação + Distrito Federal;

  • Municípios selecionados das 9 Regiões Metropolitanas federais;

  • Cidades de médio e pequeno porte.

​

      A partir de um mapeamento inicial das cenas de uso foram entrevistados cerca de 7 mil usuários de crack e/ou similares, o que permite sumarizar dados nacionais com elevado grau de precisão sobre as características desta população.

 

       Uma equipe composta de mais de 800 indivíduos esteve envolvida para a realização dessa pesquisa.

Quem são os Usuários de Crack no Brasil?

     Abaixo selecionei alguns dados para apresentar, como: Faixa Etária, Sexo, Cor/Raça, Escolaridade, Padrões de Uso de Crack e prevalências para HIV, Hepatite B e Tuberculose.

Figura 1: Faixa Etária

Faixa etária dos usuários de crack e/ou similares, Brasil, 2012

Figura 2: Sexo

Sexo dos usuários de crack e/ou similares, Brasil, 2012

Figura 3: Cor/Raça (Autodeclarada)

Cor/Raça dos usuários de crack e/ou similares, Brasil, 2012

Figura 4: Escolaridade

Escolaridade dos usuários de crack e/ou similares, Brasil, 2012

Figura 5: Padrões de Uso de Crack e/ou Similares

Compartilhamento de apetrechos para uso de crack e/ou similares, Brasil, 2012

Figura 6: Status Sorológico Positivo para HIV

Algumas características sociodemográficas e comportamentais dos usuários de crack e/ou similares de acordo com o status sorológico para HIV, Brasil, 2012

Figura 7: Status Sorológico Positivo para HCV

Algumas características sociodemográficas e comportamentais dos usuários de crack e/ou similares de acordo com o status sorológico para HCV, Brasil, 2012

Figura 8: Sintomatologia Sugestiva de Tuberculose

Relato de sintomatologia sugestiva, contato e histórico de tuberculose dos usuários de crack e/ou similares, Brasil, 2012

       O uso do crack no Brasil de hoje é principalmente um grave problema social.

​

      A intensidade e a extensão do consumo parecem contribuir ainda mais para agravar a exclusão social de quem já nasceu em um contexto de desigualdades.

São consumidos em média 14 pedras / dia e 8 anos de uso intenso!!

Pesquisa Nacional sobre Uso de Crack. Organizadores Francisco Inácio Bastos e Neilane Bertoni. Rio de Janeiro: Editora ICICT/FIOCRUZ, 2014.

Excelente leitura!

Vale a pena conferir os vários dados extraídos dessa pesquisa!

Para acessar o livro

Solicite via "Fale Comigo"

“Eu ouço vozes,  olho pro lado, parece que tem alguém me cuidando, e, quando eu olho, é um espírito, um espírito mesmo, me cuidando, ou uma mulher com uma roupa branca. Às vezes, é uns exu na minha volta, eu vejo eles todos na minha volta. Só que não é o que eu vejo, é alucinação da droga que faz com que eu veja eles. Tipo tu tá sentada aqui comigo e, por exemplo, tem uma sombra aqui... por exemplo, tu vê essa estátua se mexendo e falando contigo, mas, não... é alucinação que te dá. Se tem uma pessoa conversando contigo, você já pensa que a pessoa quer brigar, quer se avançar em ti. Mas tudo isso é a ira da droga.”

​

                                                                                               Amanda (22 anos)

Crack e Exclusão Social. Organização Jessé Souza. Brasília: Ministério da Justiça e Cidadania, Secretaria Nacional de Política sobre Drogas, 2016. 360p. 

Atual Equipe de Pesquisadores do Laboratório do Prof. Dr. Francisco Inácio Bastos

LIS/ICICT/FIOCRUZ

Dra. Carolina Coutinho - Epidemiologista

Dra. Lidiane Toledo - Epidemiologista

Dra. Jurema Mota - Estatística

Original on Transparent.png
bottom of page